sábado, 14 de novembro de 2020

Um valente susto para a minha avó

 Eis-nos no 11º mês de um ano de 2020 que tem sido cheio de sobressaltos, surpresas, limitações, preocupações e...algum medo à mistura...pelos nossos pais, tios e avós e pelos nossos amigos e amigas que há mais tempo andam por cá neste mundo de experiências...

Infelizmente, já não tenho avós nem avôs vivos mas, as lembranças deles são ainda parte de mim...e Eu fui (e sou!) também fruto delas.

Veio-me à memória um episódio da minha vida tinha eu 15 ou 16 anos... e só me lembro...coitadinha da minha avó Isabel 💖... preguei-lhe um belo susto!

A minha vida de desportos de água e de deslize começou aos 14 anos com o windsurf. Via desde sempre o João Borges (o nosso agora sempre disponível amigo do barco de nome RULITA)  ensinar windsurf aos seus filhos (não deviam ter mais de 6 ou 8 anos) ali na Ria Formosa em Cabanas, mesmo em frente onde agora é a rampa onde se entra nos barcos para a travessia...e ficava a olhar desejando experimentar também...as velinhas e as pranchas pequeninas eram um deslumbre para mim... 

Um dia finalmente consegui que o meu tio João (que já dava uns toques no windsurf) e o seu amigo alemão a quem todos chamam João (o seu nome alemão não fazia sentido nas Cabanas) me ensinassem a navegar na prancha de windsurf...lembro-me de andar ali pela Ria (antes era muito mais larga!) a fazer os meus primeiros metros em cima da prancha com o João sempre noutra prancha por perto.

Não sei quanto tempo demorei a aprender...já não consigo ter esses detalhes presentes mas consegui e comprei uma prancha e vela BIC ao João (vendi mais tarde e com direito a aulas a uma GRANDE senhora na minha vida: a minha orientadora de estágio na faculdade, a Margarida Gaspar de Matos).

Entretanto, já lhe dava muito bem, fazendo algumas manobras mais "nices" como o shampôo (durante a navegação, forçar a inclinação da vela na minha direcção, molhar a cabeça e os cabelos e voltar a subir, continuando a navegação...dava-me grande gozo fazer essa brincadeira e refrescar-me em andamento 😊👍

Outra coisa que já dessa altura adorava fazer, era navegar em downwind até ao Lacém ou à Fábrica pela Ria e voltar...sentia-me uma aventureira...Ahahahah 
E é num desses dias que a história se passou. Mas, nesse dia resolvi ir num ímpeto de momento e não avisei ninguém. O vento estava tão bom que não dava para resistir.
E fui!
Fiz bordos, naveguei à popa...estava tão feliz que em vez de ir só até ao Lacém... resolvi ir até à Fábrica. E por lá fiquei de maré cheia a fazer bordos...muito BOM!
Como sabemos todos...a maré depois de estar cheia começa a vazar... e o vento de sudoeste com o avançar da tarde e o baixar do sol no horizonte....baixa também de intensidade...até que pára....LOL... pois...
Eu também sabia, mas estava tão feliz....ahahahahah


Claro que apesar de já ter começado a navegar pela Ria, de volta a Cabanas, quando o vento caíu e a água deixou de ser mais do que um ribeiro de cerca de 30cm/40cm de profundidade eu estava no máximo a metade do percurso!! E o patilhão da prancha já não permitia a navegação, tive que o retirar, para poder ter a prancha a flutuar...
Dizer que, naquela altura na maré baixa, a água vazava praticamente na totalidade, íamos a pé para a Ilha pelo que eu sabia que tinha que acelerar na caminhada ou deixava de conseguir pura e simplesmente avançar... E assim foi, patilhão em cima da prancha, prancha a flutuar e mastro e vela em cima dos meus ombros...e tentava ser rápida para chegar ainda de dia... mas, a areia fofa e as zonas de lama e lodo não era grande ajuda à rapidez e claro está...escureceu... 
Nesta altura eu sabia que os meus avós (eu passava sempre os 3 meses de férias em Cabanas com eles. Os meus pais trabalhavam em Lisboa e só vinham em Agosto) já deveriam estar super preocupados e sentia já um pouco de remorços e culpa... Mas, não havia muito a fazer...só tentar ser o mais rápida possível...

Perto da fortaleza já em Cabanas, há um ribeiro que torna muito difícil e na altura perigoso tentar passar aquela zona a caminhar...
Porque ali, o volume de água era um pouco maior (acho até que já estava a encher novamente...lol) e resolvi meter-me em cima da prancha e com uma "bufinha" de vento norte lá consegui ir navegando muito lentamente...até ter que desmontar novamente e caminhar no meio da Ria um pouco mais...e foi neste momento que comecei a ouvir muitas vozes, alguma confusão e focos de luz.. e percebi que gritavam repetidamente: "Sandra!!! és tu???"...LOL Gritei de volta que sim.
À medida que me aproximava deles (eles estavam onde antes era a muralha de pedras e agora é o início do passadiço do lado da fortaleza), percebi uma pequena "multidão": alguns dos meus amigos de juventude como a Carla, a Sofia, o Luigi as minhas primas Isabel e Fatinha, a minha avó e alguns pais dos meus amigos, nomeadamente à cabeça da "patrulha de salvamento" e de foco na mão, o pai da Carla. Vieram ter comigo...estavam a preparar-se para ir á minha procura!!
Do meio deles veio a minha avó na minha direcção, chorosa e de braços abertos, repetia: "Minha filhinha, pensei que nunca mais te via..." "Ora bolas, fizeste mesmo merda Sandra!" Pensei, abraçando-a agradecida pelo seu amor. Pedi desculpa, claro....a todos. mas, passou rapidamente para uma gargalhada geral a minha penitência de ter que caminhar a carregar o material por não ter tomado a melhor decisão quando ainda tinha tempo 😂😂😁😁  Contaram-me também que tinham telefonado para o restaurante da Fábrica a perguntar se tinham visto uma rapariga a fazer windsurf... Eles tinham respondido que "Sim, mas há muito tempo, já!" LOLOL

Prometi à minha avó que não voltava a fazer. E não voltei. Mas, a história por vezes é recordada por algum dos protagonistas e é risada geral 😉

Nestes momentos, é tão bom recordar. Mas, também é importante não deixar de estar hoje com as nossas pessoas...ainda que por vezes com máscara e a uma distância de segurança. 

Fiquem bem.
Fiquem em segurança.
Até breve.




sexta-feira, 17 de abril de 2020

Tinha que chegar o dia.....

Olá amigos do vento!
Antes de tudo, espero que se encontrem bem de saúde.
Esta semana foi diferente. Na passada 4a feira senti que algo fora do normal se passava. As persianas estavam inquietas, algo assobiava lá fora. Resisti a pensar que seria "ele" apesar de no fundo saber que era. Tentei ignorar e pensei "ah, forte assim só pode ser nortada....". Mas não era. Da janela podia ver as árvores "vergarem" rendidas à força invisível. Aquelas árvores de estatura delgada já as conheço bem e nortada não era.
Abstrair era o plano do dia. Tudo corria bem até que o meu amigo Lucky Fox me presenteia com um vídeo no spot "que grande kitada que eu fazia agora!" atirou ele. Estava um belo SW acima de 20knts, o mar parecia grande e revolto mas a ria... essa seria a pista principal. Daqueles dias de navegar até ao "secret spot" esticar a mão e quase tocar no Farol.
Para piorar a situação o Valentim (meu filho) diz me "está vento papá!".  Decidi ter uma conversa de adulto para criança.  A criança começou por dizer "filho achas que o pai pode ir fazer kite hoje?" o adulto respondeu "sim papá, quero ver-te a cair da prancha!?!?".
Tive que ser consolado pelo meu filho de 4anos. Só me apetecia chorar. Ficou a promessa que este ano vai começar a pilotar um kite.

Com isto tudo, também  foi noticiado esta semana a eventual abertura gradual das actividades, incluindo as praticadas ao ar livre. Não vou cantar vitória mas é um sinal de esperança neste pesadelo.

Actividade física mantém-se a bom ritmo. Adicionei o "saltar à corda" ao treino e tenho me desafiado neste campo. Muito bom.
Vocês mantenham-se activos também!

Em jeito de adeus, hoje fui à praia. Há pelo menos 25dias que não o fazia. Mandei duas golfadas de ar puro e cheiro a mar para os pulmões. Fez-me bem.

Tinha que chegar o dia.....

Até já!











domingo, 5 de abril de 2020

TOP3 Homem ...Melhores surpresas em 16 anos

Chegou a hora de vos contar três histórias das que mais me impressionaram nestes 16 anos.
São histórias de grande sucesso e de grande humildade!!


TOP3 HOMEM

1º LUGAR: Resistência de Astronauta.


Quem conhece o sotavento algarvio sabe que normalmente temos um vento MAREIRO de sudoeste, deliciosamente estável na maior parte das tardes de primavera e verão, resultado meteorológico da grande diferença de temperatura entre terra e àgua...

...Isto, se Tarifa e o estreito de Gibraltar não decidirem apelar ao LEVANTE de Este...nesses dias há tanta humidade na atmosfera que o efeito térmico não se consegue fazer sentir ou então só tem sucesso muito tarde no dia 😔

Mas, há ainda outros dias...por norma em Junho, em que temos vento de SO desde cedo...desde as 10h... Nesses dias, sabemos que ao final da tarde, a intensidade do vento estará a pisar os 20-25nós (+/-40-50km/h) 💪💪👌
Foi num desses dias que nos apareceu de manhã um aluno nos seus 50s, não muito alto, magro e não muito musculado... Queria experimentar fazer kitesurf, nunca tinha feito e só tinha aquele dia para tentar ser bem sucedido. Entre instrutores, entreolhámo-nos e pensámos "Deve ser...."
Depois de uma pequena conversa para perceber quem era aquela pessoa..o seu historial desportivo, médico...percebemos que estávamos diante de um antigo astronauta...Ficámos de olhos esbugalhados 😲



Quis começar rapidamente e rapidamente dominou a asa, ainda mais rápido atinou com os bodydraggs e sem querer parar para ir almoçar (trouxemos-lhe uma tosta de atum com ovo e vegetais e uma bebida refrescante). Comeu rapidamente e sem demora quis voltar às "lides"... Esteve em aula umas 6 horas e chegou a navegar uns metros no final...Já estavamos nós cansados de o ver a ele em aula e ele ainda continuava pronto para mais.... às 16h tivemos que parar, ele tinha um compromisso...tinha que ir embora...lol...quase tão fresco como chegou!!!

Conclusão: As aparências iludem, mesmo!! Aquele trinca-espinhas franzino tinha aguentado aquelas 6 horas sem acusar o esforço...que preparação física que tinha ainda!!! Wowww!


2º LUGAR: O corpo na 1ª pessoa.

Desde sempre que guardo a experiência de dar aulas àquele aluno: vinte e poucos anos, atlético, corpo super bem definido, incrível capacidade de concentração, auto-conhecimento corporal absurdamente grande. 

« - O que fazes profissionalmente? »
« - Sou bailarino profissional. »
« - AHHHHHHHHHHH...... » Tudo explicado. E ainda por cima tinha muito "snowboard nas pernas"...

Não houve um exercício que tivesse que repetir duas vezes!! Foi tudo à primeira!!!
E quando experimentou o waterstart, saíu a navegar e voltou em toe-side!!! AHAHAHAHAH!!!
Na praia, só nos ríamos do espectáculo que estávamos a presenciar 
👏👏👏
Assim, é muito fácil dar aulas 
😎👍



3º LUGAR: A simplicidade do maior baterista português.

Pergunta: Quem é o maior baterista português da actualidade e há já muitos anos?
CLARO! O Kalú dos Xutos & Pontapés!!

Como todos os portugueses e portuguesas, também eu cresci a ouvir, a curtir e a abanar a cabeça ao som dos Xutos!!!

Quando me aparece o Kalú para fazer uma aula (oferta de uma amiga dele) fiquei em bicos dos pés...queria perceber tudo sobre quem era aquele que me tinha acompanhado durante tantos anos, em tantas e boas vivências de adolescente. RESPECT!

E que incrível que foi! Um "tipo" super normal! Super humilde para o TAMANHO que tem! E super divertido!
Curtiu a experiência e curtimos todos a sua presença na praia!
Claro que do pós kite ainda fez parte o belo do convívio no tão saboreado petisco que é para todos nós beber uma e comer uns amendoíns salgadinhos no "Dunas", logo ao lado da nossa loja de Kitesurf.

Obrigada por te deixares conhecer e pela GRANDIOSIDADE que tens!
RESPECT!
 




quinta-feira, 26 de março de 2020

TOP 3 dos mais surpreendentes 16 anos de alunos de Kitesurf na Eolis

Pois é!!!! 16 anos de Eolis...em plena adolescência!!!
Nestes anos como imaginam tivemos todo o tipo de alunos e alunas 😏 
Resolvi escrever dois TOP3 das maiores surpresas, um masculino e um feminino. Estas surpresas são diversas e de diferente cariz...umas foram surpreendentes pela excepcionalidade d@s alun@s e outras pela incredulidade que nos provocaram...😈  

Assim sendo, a ver se alguém encaixa a carapuça...eheheheh....

Neste post, temos as senhoras:

TOP3 MULHER

1º LUGAR: Vou só ali e já venho - a francesa excepcional.


Chegou super discreta, disse que já tinha feito algum treino mas que nunca tinha estado "em terra" com a asa...não sabia montar o material com segurança, nunca tinha feito subir a asa (nem baixar...claro), nunca tinha feito nenhuma simulação de situações de emergência/problemas (de resto, temos uma boa percentagem de alunos que infelizmente não fazem ideia de como se comportar em terra com a asa...por nunca ter tido essa experiência...). 
Começámos como se fosse a primeira vez, passámos por todas as aprendizagens que faltavam em terra. Percebi nela sempre facilidade mas também alguma apreensão.
Quando seguimos para os exercícios na água, só sabia fazer o bodydragg upwind (imaginem o que é fazer aulas em algumas escolas... vento offshore, no meio do mar e treinar o bodydragg downwind....ahahahah...o aluno em 10segundos chegaria ao continente mais próximo!!!!).
Fomos avançando e chegámos ao waterstart...O vento não estava muito forte, dei-lhe a nossa prancha vermelha - que já ensinou meio mundo - tínhamos uma asa de 8m porque eu não quis arriscar muito...disse-lhe: 
"- Talvez tenhas um pouco de dificuldade, porque não tens muita experiência com a asa e o vento está para o fracote..."
Ela abanou a cabeça com um sim e foi fazer a primeira tentativa.
E... desapareceu a navegar a asa super bem, super proficiente...e depois, voltou com o mesmo controlo. E eu fiquei a fechar a boca...porque tinha ficado pendurada 👀

A partir daí, a exigência com ela subiu!!!! E muito!! Pouco tempo depois, ela já ensaiava os primeiros saltos!


2º LUGAR: Era uma vez uma "dama" de Bruxelas.

Sabem aquela tipologia assumidamente preconceituosa de "senhora" da alta sociedade, de unhas bastante grandes e super arranjadas e que, em bicos dos pés pela praia (como se estivesse de saltos altos) se balanceia de anca para a esquerda e para a direita por entre todos os que a rodeiam....principalmente se forem homens... 

"- Trabalho na UE em Bruxelas e se me oferecerem um curso de Kitesurf eu escrevo um artigo de opinião sobre a Eolis e publico utilizando os meios que conheço por lá. Certamente vos trará muita publicidade!"

Pensei...pode ser interessante...mas, esta senhora fazer Kitesurf com aquelas unhas e "tiques"???? Resolvi fazer-lhe uma proposta de meio caminho..

"- Ok, posso oferecer-lhe duas aulas para experimentar fazer bodydragg em troco desse artigo. Quando o publicaria?" Acertámos alguns detalhes e ficou de enviar o artigo publicado daí a 3 ou 4 meses. 

Começaram as aulas (comigo claro...não lhe ía fazer a vontade de ter um instrutor homem...ahahah) e desde o início foi bastante claro que o intuito principal seria mesmo bambolear-se e proteger as unhas...mas, lá fomos fazendo caminho 😵 ...passou a ser o meu desafio pessoal: Levá-la a conseguir ter sucesso no bodydragg downwind!
Incrivelmente, e apesar do modo ridiculamente-absurdo em como agarrava a barra por causa do grande desafio que tinha de proteger as suas "precious" unhas...conseguiu chegar no dia 2 ao bodydragg downwind!!!!!!! Yeahhhhhhhhh !!!
Depois foi vê-la a largar sucessivamente a barra num "gritinho" para limpar a água dos olhos a cada salpico de mar.... 

Senti SUCESSO!!!! E depois... deixei-a tranquilizar para sua grande felicidade, no meio dos homens presentes na praia e descansei eu dela....que também já merecia 😉

Ah...sim, o artigo....ainda estou à espera...há 10anos... AHAHAHAHAHAH


3º LUGAR: Ensinar a própria filha de 8 anos não é fácil...mas, quando se é mãe-galinha.... uffff....

Desde sempre que coloquei pequenos papagaios na mão da minha filha para ela se ir habituando à ideia e ao comportamento do vento e do papagaio. Foi um processo super natural..tanto que a sua experiência passou a ser intuitiva.

Claro que eu...super orgulhosa!!

Mas, depois....por passar tantas horas na praia connosco...a brincar por ela sozinha... fartou-se daquelas coisas dos papagaios e das asinhas.....
Claro que eu.... tristonha...

Finalmente em 2012 a prima Inês que, nesse ano esteve como instrutora, conseguiu finalmente que ela quisesse experimentar um UNO 2,5m2 (asa insuflável com barra com depower). 
Claro que eu... novamente super orgulhosa!!

Depois coube-me a mim fazer a introdução ao bodydragg downwind...aos 8 anos e como mãe-galinha que sou, teria que ser eu a sentir que ela estaria sempre segura na água. E... que difícil que foi!!!! Ora ía atrás dela a correr na água ou no arnês dela, ora a deixava ir sozinha "atrelada" a uma corrente de leashes que eu tinha na mão e que puxava assim que ela se afastava mais do que 6metros de mim.....LOLOLOL

CLARO que eu... Achava que nunca mais acabava aquela tortura... AHAHAHAHAH







sábado, 21 de março de 2020

Fazer um Kiteloop à privação....

Boas malta!
Faço hoje a minha primeira publicação aqui no cantinho "Eolis".
Tenho saudades vossas, muitas!

Sermos privados de fazer aquilo que mais gostamos é deveras um verdadeiro desafio físico e mental.
No entanto, um kitesurfista tem uma capacidade única. É um ser resiliente e um verdadeiro sofredor. Alguém que está três, quatro, cinco horas à espera de uma brisa de vento que teima em não aparecer e que por vezes aparece mas só para chatear mantém se nos 10knts, não é para qualquer um!
Mas isto é diferente, e confesso que nos primeiros dias a apatia levou a melhor. Decidi agir. Implementei regras. Na base, o exercício físico. Apliquei a máxima "corpo são, mente sã", já lá vamos mais à frente.

Descobri alguns talentos. Hoje por exemplo cortei o cabelo ao meu filho. De trás parece uma pintura do Henri Matisse, de lado parece que esteve em Tarifa com levante de 50knts. Por solidariedade, cortei o meu. Temos mantimentos até que o cabelo cresça, assim espero.


O kite está bem presente no dia a dia. Não podia ser de outra forma. Dou por mim a tocar na barra, aquele toque é importante. A barra está "trimada", ontem dei lhe a liberdade de esticar as linhas na garagem. O kite continua na mochila a suplicar por vôos mais constantes e arrojados. Os Kiteloops vão ter que esperar. Em pensamento já fiz vários, não aterrei nenhum.....

Com isto tudo há três baixas a lamentar, os meus companheiros de pequeno almoço. Por uns tempos vamo-nos afastar. De qualquer modo já disse ao "Windy", ao "Windguru" e ao "Windfinder" que nos sentaremos novamente no café da manhã.

A actividade física tem sido o verdadeiro "challenge". O "TRX" tem sido muito benéfico, um verdadeiro treino muscular completo. Aquelas fitinhas são o máximo! A parte cárdio só tem sido possível quando a "Sol" (cadela) decide que a "quarentena" findou e "ó pinhão que lá vou eu" ainda são uns bons 15 min de corrida. Qualquer dia prendem me. Por outro lado, o "Romeu" (bouldogue français) está de "quarentena" há 6 anos. Anda deprimido. Tanta gente em casa, viu se obrigado a reduzir as horas de sono de 20 para 16.




Na parte digital, tenho vistos vários documentários. Saliento "follow the wind" e "one shot" a ver na "red bull TV". Valem a pena.

Amanhã é mais um dia agitado e menos um dia para voltar à calmaria habitual......

Mantenham-se activos maltinha, o vento não acaba aqui!!





sexta-feira, 20 de março de 2020

Em stand-by económico... promovem-se as emoções

Que dias estes...
Achamo-nos a coisa mais importante no nosso planeta e afinal "somos-tão-frágeis"...
O ritmo diário da vida louca que levamos, com um travão destes fica em apneia...parece que me sinto numa daquelas sequências em câmara lenta que vimos pela primeira vez no Matrix... wwwooooooaaaahhhhh........
O incrível é que apesar de tudo, é também tranquilizador...não ter compromissos...poder simplesmente estar e desfrutar... e não sentir que tenho coisas para fazer...que estou a falhar...
Limpar o filtro do Ar condicionado...
Colher as urtigas do jardim pela terceira vez já este "Inverno"...
Fazer almoços e jantares para mim e para a minha filha...
Pintar o quarto da minha filha com ela como mestre de obras...
Varrer e lavar o chão.... e varrer o chão...e lavar o chão
Curtir os meus gatos...
Fazer as compras dos meus pais (que ficam em casa por precaução...)

Estou por casa desde dia 14 e só em dois desses dias estive no PC a responder a emails... Quarentena da vida real (Será?!?!).
Apercebi-me hoje que não abria a agenda há sete dias...
Até já me parece que os problemas burocráticos que têm sido tão cansativos nos últimos 4 anos...que me têm obrigado a uma "luta" permanente.... nunca foram meus...

Tenho desfrutado da companhia da minha filha...quase sempre com humor e sem desentendimentos. Sendo ela uma adolescente de 16 anos... acho que isso é já uma tremenda vitória!
Apercebo-me ainda mais do que me faz falta diariamente...as pessoas importantes, os amigos de sempre... preocupo-me com eles...com os meus pais... com a minha família...

Por vezes, há mensagens em grupos do whatsapp que visam simplesmente ser desagradáveis...e só porque sim...
Pessoas infelizes...essas que só sobrevivem porque sugam e maltratam outr@s...estão agora mais infelizes ainda...porque tendo que ficar em casa, é mais difícil coagir outr@s com eficácia e quando se tentam essas tácticas no núcleo familiar...mais cedo do que mais tarde vira-se o feitiço contra o feiticeiro...

Aproveitem tod@s para ser felizes e AMAR mais!
Eu vou tentar continuar a tentar fazer bem e ser feliz.

Fiquem em casa por tod@s nós.
Para que os nossos estejam a salvo, sejamos responsáveis.

Saúde.

quinta-feira, 5 de março de 2020

Kitesurf Trip Dakhla 2020



O que dizer de Dakhla...???


Mais uma vez e Dakhla não desilude! Bom vento, entre os 15 e os 25kn, excelente temperatura, que permitiu em fevereiro voltar a tirar o calção e o chinelo do armário, e tudo isto à distância de quatro horas de avião.

Na semana que antecedeu a viagem, a ansiedade no seio do grupo era grande, pois as previsões mostravam algo de estranho, uma semana sem vento, algo raro por estas alturas neste território marroquino. Cheguei mesmo a colocar em causa a minha viagem e ponderar rumar a outro destino onde se previa mais vento, para assim aproveitar estas férias de Carnaval... mas em nome do grupo que estava montado pensei, mesmo que não haja vento vai ser divertido juntar esta maltinha toda em Marrocos, portanto a diversão está garantida!

Então lá embarcamos... aqui a ansiedade foi saber se as malas estavam todas em condições, se iria ou não pagar por extra peso e se no final tanto nós como as bagagens chegariam ao mesmo tempo ao destino!!

Chegados ao nosso kite camp Dakhla Evasion, ficámos surpreendidos com o bom aspeto e  excelentes condições deste renovado hotel, as acomodações, a alimentação, o staff e tudo o que nos proporcionaram foi de excelente qualidade e com grande simpatia!

O grupo estava coeso, e a moral estava em alta pois as previsões estavam instáveis, mas já podíamos ter a certeza que iríamos navegar.

O primeiro dia após a achegada foi de ambientação e foi o único sem vento. Como não consigo ficar parado, foi dia de pegar numa prancha de SUP e procurar um spot que nos permitisse apanhar umas ondinhas.

 

 A diversão é garantida...

Este foi mesmo o único dia sem vento, pois no dia seguinte fomos atingidos com uma tempestade em que chegamos a navegar com ventos que chegaram a atingir os trinta e tal knos! Bora lá tirar o bulor aos kites pequenos!!! 

Desde então foi navegar todos os dias com ventos entre os 15 e os 25kn, perfeito e sem rajadas.
Eram praticamente três sessões diárias na água, de manha, a seguir ao almoço e ao final da tarde, o que se pode pedir mais? Foi uma semana em que respeitamos à risca um dos lemas deste hotel, "Eat, Kitesurf, Sleep" . A boa disposição foi uma constante, dentro e fora de água, às refeições onde havia um sentimento de satisfação e partilha de experiências que foram ao rubro durante toda esta semana, e que nem a derrota dos nossos clubes nas competições europeias conseguiu resfriar.


 A Duna Branca...

É um downwind mítico, um pouco cansativo para a malta com menos experiência, mas que nos permite navegar por águas cristalinas, sempre com o deserto em plano de fundo e no final deparamos-nos com aquela massa de areia fina ali especada no meio da água!! Os mais corajosos aventuram-se ao salto do topo da duna, que só lá mesmo em cima se consegue aperceber o quanto alto ela é!



E como tudo o que é bom acaba depressa, assim chegou ao fim esta semana, um verdadeiro bloqueio ao stress, de onde voltamos com as baterias carregadas e que nos deixa saudades mesmo antes de partir e que nos faz pensar, tenho de cá voltar novamente...

A todos os que participaram nesta viagem o meu MUITO OBRIGADO, sejam felizes e vemos-nos na água!!