quinta-feira, 26 de março de 2020

TOP 3 dos mais surpreendentes 16 anos de alunos de Kitesurf na Eolis

Pois é!!!! 16 anos de Eolis...em plena adolescência!!!
Nestes anos como imaginam tivemos todo o tipo de alunos e alunas 😏 
Resolvi escrever dois TOP3 das maiores surpresas, um masculino e um feminino. Estas surpresas são diversas e de diferente cariz...umas foram surpreendentes pela excepcionalidade d@s alun@s e outras pela incredulidade que nos provocaram...😈  

Assim sendo, a ver se alguém encaixa a carapuça...eheheheh....

Neste post, temos as senhoras:

TOP3 MULHER

1º LUGAR: Vou só ali e já venho - a francesa excepcional.


Chegou super discreta, disse que já tinha feito algum treino mas que nunca tinha estado "em terra" com a asa...não sabia montar o material com segurança, nunca tinha feito subir a asa (nem baixar...claro), nunca tinha feito nenhuma simulação de situações de emergência/problemas (de resto, temos uma boa percentagem de alunos que infelizmente não fazem ideia de como se comportar em terra com a asa...por nunca ter tido essa experiência...). 
Começámos como se fosse a primeira vez, passámos por todas as aprendizagens que faltavam em terra. Percebi nela sempre facilidade mas também alguma apreensão.
Quando seguimos para os exercícios na água, só sabia fazer o bodydragg upwind (imaginem o que é fazer aulas em algumas escolas... vento offshore, no meio do mar e treinar o bodydragg downwind....ahahahah...o aluno em 10segundos chegaria ao continente mais próximo!!!!).
Fomos avançando e chegámos ao waterstart...O vento não estava muito forte, dei-lhe a nossa prancha vermelha - que já ensinou meio mundo - tínhamos uma asa de 8m porque eu não quis arriscar muito...disse-lhe: 
"- Talvez tenhas um pouco de dificuldade, porque não tens muita experiência com a asa e o vento está para o fracote..."
Ela abanou a cabeça com um sim e foi fazer a primeira tentativa.
E... desapareceu a navegar a asa super bem, super proficiente...e depois, voltou com o mesmo controlo. E eu fiquei a fechar a boca...porque tinha ficado pendurada 👀

A partir daí, a exigência com ela subiu!!!! E muito!! Pouco tempo depois, ela já ensaiava os primeiros saltos!


2º LUGAR: Era uma vez uma "dama" de Bruxelas.

Sabem aquela tipologia assumidamente preconceituosa de "senhora" da alta sociedade, de unhas bastante grandes e super arranjadas e que, em bicos dos pés pela praia (como se estivesse de saltos altos) se balanceia de anca para a esquerda e para a direita por entre todos os que a rodeiam....principalmente se forem homens... 

"- Trabalho na UE em Bruxelas e se me oferecerem um curso de Kitesurf eu escrevo um artigo de opinião sobre a Eolis e publico utilizando os meios que conheço por lá. Certamente vos trará muita publicidade!"

Pensei...pode ser interessante...mas, esta senhora fazer Kitesurf com aquelas unhas e "tiques"???? Resolvi fazer-lhe uma proposta de meio caminho..

"- Ok, posso oferecer-lhe duas aulas para experimentar fazer bodydragg em troco desse artigo. Quando o publicaria?" Acertámos alguns detalhes e ficou de enviar o artigo publicado daí a 3 ou 4 meses. 

Começaram as aulas (comigo claro...não lhe ía fazer a vontade de ter um instrutor homem...ahahah) e desde o início foi bastante claro que o intuito principal seria mesmo bambolear-se e proteger as unhas...mas, lá fomos fazendo caminho 😵 ...passou a ser o meu desafio pessoal: Levá-la a conseguir ter sucesso no bodydragg downwind!
Incrivelmente, e apesar do modo ridiculamente-absurdo em como agarrava a barra por causa do grande desafio que tinha de proteger as suas "precious" unhas...conseguiu chegar no dia 2 ao bodydragg downwind!!!!!!! Yeahhhhhhhhh !!!
Depois foi vê-la a largar sucessivamente a barra num "gritinho" para limpar a água dos olhos a cada salpico de mar.... 

Senti SUCESSO!!!! E depois... deixei-a tranquilizar para sua grande felicidade, no meio dos homens presentes na praia e descansei eu dela....que também já merecia 😉

Ah...sim, o artigo....ainda estou à espera...há 10anos... AHAHAHAHAHAH


3º LUGAR: Ensinar a própria filha de 8 anos não é fácil...mas, quando se é mãe-galinha.... uffff....

Desde sempre que coloquei pequenos papagaios na mão da minha filha para ela se ir habituando à ideia e ao comportamento do vento e do papagaio. Foi um processo super natural..tanto que a sua experiência passou a ser intuitiva.

Claro que eu...super orgulhosa!!

Mas, depois....por passar tantas horas na praia connosco...a brincar por ela sozinha... fartou-se daquelas coisas dos papagaios e das asinhas.....
Claro que eu.... tristonha...

Finalmente em 2012 a prima Inês que, nesse ano esteve como instrutora, conseguiu finalmente que ela quisesse experimentar um UNO 2,5m2 (asa insuflável com barra com depower). 
Claro que eu... novamente super orgulhosa!!

Depois coube-me a mim fazer a introdução ao bodydragg downwind...aos 8 anos e como mãe-galinha que sou, teria que ser eu a sentir que ela estaria sempre segura na água. E... que difícil que foi!!!! Ora ía atrás dela a correr na água ou no arnês dela, ora a deixava ir sozinha "atrelada" a uma corrente de leashes que eu tinha na mão e que puxava assim que ela se afastava mais do que 6metros de mim.....LOLOLOL

CLARO que eu... Achava que nunca mais acabava aquela tortura... AHAHAHAHAH







sábado, 21 de março de 2020

Fazer um Kiteloop à privação....

Boas malta!
Faço hoje a minha primeira publicação aqui no cantinho "Eolis".
Tenho saudades vossas, muitas!

Sermos privados de fazer aquilo que mais gostamos é deveras um verdadeiro desafio físico e mental.
No entanto, um kitesurfista tem uma capacidade única. É um ser resiliente e um verdadeiro sofredor. Alguém que está três, quatro, cinco horas à espera de uma brisa de vento que teima em não aparecer e que por vezes aparece mas só para chatear mantém se nos 10knts, não é para qualquer um!
Mas isto é diferente, e confesso que nos primeiros dias a apatia levou a melhor. Decidi agir. Implementei regras. Na base, o exercício físico. Apliquei a máxima "corpo são, mente sã", já lá vamos mais à frente.

Descobri alguns talentos. Hoje por exemplo cortei o cabelo ao meu filho. De trás parece uma pintura do Henri Matisse, de lado parece que esteve em Tarifa com levante de 50knts. Por solidariedade, cortei o meu. Temos mantimentos até que o cabelo cresça, assim espero.


O kite está bem presente no dia a dia. Não podia ser de outra forma. Dou por mim a tocar na barra, aquele toque é importante. A barra está "trimada", ontem dei lhe a liberdade de esticar as linhas na garagem. O kite continua na mochila a suplicar por vôos mais constantes e arrojados. Os Kiteloops vão ter que esperar. Em pensamento já fiz vários, não aterrei nenhum.....

Com isto tudo há três baixas a lamentar, os meus companheiros de pequeno almoço. Por uns tempos vamo-nos afastar. De qualquer modo já disse ao "Windy", ao "Windguru" e ao "Windfinder" que nos sentaremos novamente no café da manhã.

A actividade física tem sido o verdadeiro "challenge". O "TRX" tem sido muito benéfico, um verdadeiro treino muscular completo. Aquelas fitinhas são o máximo! A parte cárdio só tem sido possível quando a "Sol" (cadela) decide que a "quarentena" findou e "ó pinhão que lá vou eu" ainda são uns bons 15 min de corrida. Qualquer dia prendem me. Por outro lado, o "Romeu" (bouldogue français) está de "quarentena" há 6 anos. Anda deprimido. Tanta gente em casa, viu se obrigado a reduzir as horas de sono de 20 para 16.




Na parte digital, tenho vistos vários documentários. Saliento "follow the wind" e "one shot" a ver na "red bull TV". Valem a pena.

Amanhã é mais um dia agitado e menos um dia para voltar à calmaria habitual......

Mantenham-se activos maltinha, o vento não acaba aqui!!

Mário Filipe Faria




sexta-feira, 20 de março de 2020

Em stand-by económico... promovem-se as emoções

Que dias estes...
Achamo-nos a coisa mais importante no nosso planeta e afinal "somos-tão-frágeis"...
O ritmo diário da vida louca que levamos, com um travão destes fica em apneia...parece que me sinto numa daquelas sequências em câmara lenta que vimos pela primeira vez no Matrix... wwwooooooaaaahhhhh........
O incrível é que apesar de tudo, é também tranquilizador...não ter compromissos...poder simplesmente estar e desfrutar... e não sentir que tenho coisas para fazer...que estou a falhar...
Limpar o filtro do Ar condicionado...
Colher as urtigas do jardim pela terceira vez já este "Inverno"...
Fazer almoços e jantares para mim e para a minha filha...
Pintar o quarto da minha filha com ela como mestre de obras...
Varrer e lavar o chão.... e varrer o chão...e lavar o chão
Curtir os meus gatos...
Fazer as compras dos meus pais (que ficam em casa por precaução...)

Estou por casa desde dia 14 e só em dois desses dias estive no PC a responder a emails... Quarentena da vida real (Será?!?!).
Apercebi-me hoje que não abria a agenda há sete dias...
Até já me parece que os problemas burocráticos que têm sido tão cansativos nos últimos 4 anos...que me têm obrigado a uma "luta" permanente.... nunca foram meus...

Tenho desfrutado da companhia da minha filha...quase sempre com humor e sem desentendimentos. Sendo ela uma adolescente de 16 anos... acho que isso é já uma tremenda vitória!
Apercebo-me ainda mais do que me faz falta diariamente...as pessoas importantes, os amigos de sempre... preocupo-me com eles...com os meus pais... com a minha família...

Por vezes, há mensagens em grupos do whatsapp que visam simplesmente ser desagradáveis...e só porque sim...
Pessoas infelizes...essas que só sobrevivem porque sugam e maltratam outr@s...estão agora mais infelizes ainda...porque tendo que ficar em casa, é mais difícil coagir outr@s com eficácia e quando se tentam essas tácticas no núcleo familiar...mais cedo do que mais tarde vira-se o feitiço contra o feiticeiro...

Aproveitem tod@s para ser felizes e AMAR mais!
Eu vou tentar continuar a tentar fazer bem e ser feliz.

Fiquem em casa por tod@s nós.
Para que os nossos estejam a salvo, sejamos responsáveis.

Saúde.

quinta-feira, 5 de março de 2020

Kitesurf Trip Dakhla 2020



O que dizer de Dakhla...???


Mais uma vez e Dakhla não desilude! Bom vento, entre os 15 e os 25kn, excelente temperatura, que permitiu em fevereiro voltar a tirar o calção e o chinelo do armário, e tudo isto à distância de quatro horas de avião.

Na semana que antecedeu a viagem, a ansiedade no seio do grupo era grande, pois as previsões mostravam algo de estranho, uma semana sem vento, algo raro por estas alturas neste território marroquino. Cheguei mesmo a colocar em causa a minha viagem e ponderar rumar a outro destino onde se previa mais vento, para assim aproveitar estas férias de Carnaval... mas em nome do grupo que estava montado pensei, mesmo que não haja vento vai ser divertido juntar esta maltinha toda em Marrocos, portanto a diversão está garantida!

Então lá embarcamos... aqui a ansiedade foi saber se as malas estavam todas em condições, se iria ou não pagar por extra peso e se no final tanto nós como as bagagens chegariam ao mesmo tempo ao destino!!

Chegados ao nosso kite camp Dakhla Evasion, ficámos surpreendidos com o bom aspeto e  excelentes condições deste renovado hotel, as acomodações, a alimentação, o staff e tudo o que nos proporcionaram foi de excelente qualidade e com grande simpatia!

O grupo estava coeso, e a moral estava em alta pois as previsões estavam instáveis, mas já podíamos ter a certeza que iríamos navegar.

O primeiro dia após a achegada foi de ambientação e foi o único sem vento. Como não consigo ficar parado, foi dia de pegar numa prancha de SUP e procurar um spot que nos permitisse apanhar umas ondinhas.

 

 A diversão é garantida...

Este foi mesmo o único dia sem vento, pois no dia seguinte fomos atingidos com uma tempestade em que chegamos a navegar com ventos que chegaram a atingir os trinta e tal knos! Bora lá tirar o bulor aos kites pequenos!!! 

Desde então foi navegar todos os dias com ventos entre os 15 e os 25kn, perfeito e sem rajadas.
Eram praticamente três sessões diárias na água, de manha, a seguir ao almoço e ao final da tarde, o que se pode pedir mais? Foi uma semana em que respeitamos à risca um dos lemas deste hotel, "Eat, Kitesurf, Sleep" . A boa disposição foi uma constante, dentro e fora de água, às refeições onde havia um sentimento de satisfação e partilha de experiências que foram ao rubro durante toda esta semana, e que nem a derrota dos nossos clubes nas competições europeias conseguiu resfriar.


 A Duna Branca...

É um downwind mítico, um pouco cansativo para a malta com menos experiência, mas que nos permite navegar por águas cristalinas, sempre com o deserto em plano de fundo e no final deparamos-nos com aquela massa de areia fina ali especada no meio da água!! Os mais corajosos aventuram-se ao salto do topo da duna, que só lá mesmo em cima se consegue aperceber o quanto alto ela é!



E como tudo o que é bom acaba depressa, assim chegou ao fim esta semana, um verdadeiro bloqueio ao stress, de onde voltamos com as baterias carregadas e que nos deixa saudades mesmo antes de partir e que nos faz pensar, tenho de cá voltar novamente...

A todos os que participaram nesta viagem o meu MUITO OBRIGADO, sejam felizes e vemos-nos na água!!